terça-feira, 8 de março de 2011

Interessante Notícia do correio da manhã

Cirurgia tenta destruir metástases

O objectivo é destruir metástases (novos focos de tumor maligno). A cirurgia que extrai o tumor, chamada ressecção, é agora feita no fígado, vias biliares e pâncreas. Para melhorar as percentagens de sobrevivência, é utilizada uma esponja hemostática para controlar a hemorragia, que nestes casos costuma ser fatal. O Hospital de São João, no Porto, foi a primeira unidade do País a recorrer a esta técnica.
A cirurgia começou por ser feita em doentes com cancro do cólon e do recto. Os resultados mostraram que a taxa de sobrevivência era parecida com a de outras operações em que não havia metástases naqueles órgãos. E que, por isso, era preferível operar as novas lesões tumorais.
Hoje já são aceites doentes com metástases no rim, estômago, pâncreas, vias biliares (que ligam o fígado e a vesícula biliar ao duodeno) e fígado.
A técnica consiste em tirar a metástase, tratar outros nódulos cancerosos por radiofrequência e estancar as hemorragias, colocando esponjas no órgão.
A diferença prende-se com o facto de anteriormente o doente ser, em muitos casos, apenas sujeito a tratamentos paliativos. Primeiro, retiram-se os nódulos do tumor através de uma cirurgia aberta convencional. É possível tratar outros nódulos por radiofrequência (que pode ser feita durante a cirurgia ou através da pele, recorrendo a uma TAC e radiografia). Introduz--se uma agulha, cujos movimentos são controlados através das imagens da radiografia. A agulha irá destruir, pelo calor, os nódulos que não era possível retirar. No caso do pâncreas e do fígado, é colocada, já no fim da operação, uma esponja hemostática no órgão, que ajuda a controlar a hemorragia e evita que os fluídos se libertem e causem infecções pós-operatórias. A hemorragia é sempre uma preocupação nestas cirurgias, chegando a ser fatal em alguns casos, e a esponja é usada para a prevenir e, eventualmente, tratar.
O número de cirurgias desta natureza tem aumentado em doentes com cancro e nos quais são detectadas metástases.

TÉCNICA USADA EM 45 HOSPITAIS

A técnica que aplica a esponja hemostática nas cirurgias de ressecção é usada desde 2009. Apesar de o Hospital de S. João, no Porto, ter sido o primeiro a recorrer à esponja, hoje esta é utilizada em 45 hospitais em todo o País. A aplicação da esponja, com o nome comercial TachoSil, está restrita a cirurgiões experientes. Pode ser usada apenas uma ou mais, dependendo do tamanho da ferida.

"É MELHOR DO QUE ABANDONAR A DOENÇA SEM A CIRURGIA": Costa Maia Director do Serviço de Cirurgia do S. João

Correio da Manhã – O que têm de novo estas cirurgias?
Costa Maia – Os pacientes com tumores do pâncreas e fígado eram antes sujeitos a tratamentos paliativos. Agora, tratamos os doentes com uma intenção curativa. O mais importante é a atitude perante isto.

– E em termos de resultados?
– Os resultados da operação ao rim, estômago e pâncreas, por exemplo, não são tão bons como os do cólon. Mas são melhores do que abando-nar a doença sem a cirurgia. Isto também significa uma diminuição de custos.

– É a única solução?
– A extracção das metástases hepáticas é, actualmente, o único tratamento potencialmente curativo para estes tumores. Quando não tratadas, a possibilidade de sobrevivência é de 4 a 24 meses.

"DETECTARAM-ME UMA MANCHA NO PÂNCREAS"
António Aurélio Pereira tem 78 anos e mora no Funchal. Foi operado há cinco anos a um tumor no rim. "Tinha muita necessidade de urinar durante a noite. Numa ecografia, foi vista qualquer coisa no rim e chegaram à conclusão de que era preciso tirar o rim direito", conta ao CM.
Quase sempre sem ter sintomas, foi-lhe identificado, em Dezembro de 2006, um aneurisma na aorta abdominal. "Corria normalmente, sem dores. Ia periodicamente ao médico. Quando detectaram o aneurisma, passei a fazer todos os anos uma TAC. Há dois anos foi detectada uma mancha no pâncreas", explica António Aurélio Pereira. No ano passado, a mancha no pâncreas passou a ser um nódulo tumoral. "No início de Janeiro deste ano mandaram-me para o continente, para fazer exames", disse.
Voltou, no final de Fevereiro último, para ser operado no Hospital de S. João, no Porto. Tanto ao nódulo no pâncreas como a vários nódulos no fígado. A solução passava por retirar os nódulos e destruir outros, através da radiofrequência. Na operação foi usada a radiografia para localizar as metástases. Foi ainda verificado se havia mais metástases, não detectadas nos exames anteriores. "Precisamente por saber que estas operações não se faziam e por ter um belíssimo cirurgião, estou muito confiante", diz. A esperança aumenta quando relembra o seu historial clínico, quase imaculado. "À parte do rim, tenho sido uma pessoa forte, saudável, sem problemas e com saúde de ferro", regozija-se.

METÁSTASES NÃO OPERÁVEIS
Nem todos os tumores são bons para as metástases poderem ser operadas. O do cólon e o do recto são dos mais operáveis. No caso do fígado, a cirurgia é a maneira mais eficaz de tratar as metástases. Quando isso não é possível, porque pode implicar retirar demasiado fígado, recorre-se à radiofrequência. No entanto, é menos eficaz que a cirurgia, porque as metástases reaparecem com frequência.
Um feliz dia da Mulher para todas! Beijinhos.