terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Depois da operação
Estava anciosa por ver os meus filhos. Estava a morrer de saudades deles mas, tinha de ter cuidado pois não podia fazer esforços por isso, pegar neles estava fora de questão.
Quando eu cheguei e eles me viram vieram logo ter comigo. Estava tão lindos!
Agarrei-me a eles a dar-lhes montes de beijos. Depois fui cumprimentar os meus sogros que me têm ajudado muito.
Almoçamos e depois fui para minha casa. Lar doce lar. Não há nada como estar em casa.
De tarde comecei a ficar com muito sono. Achei estranho pois no hospital nunca tive vontade de dormir. Deduzi que seria dos anti-depressivos que tinha começado a tomar nesse dia. Fui descansar. Acordei seriam umas 18h. A minha sogra estava a fazer os doces para a noite de Ano Novo. À noite jantamos e depois estivemos a ver um pouco de televisão até ser meia-noite.
Eu não consegui ficar acordada até tão tarde. Eram 10 horas  quando fui para a cama. Adormeci e acordei à meia-noite com o meu marido e os meus filhos a darem-me um beijinho e a desejarem-me um Feliz Ano Novo. Bem precisava pois o ano que passou não tinha sido muito bom.
No dia 3 voltei ao I.P.O. para fazer o penso. Estava com um pouco de medo de ter ganho líquido pois se caso acontecesse tinha de tirar. A ideia de isso acontecer não me agradava muito. Felizmente não foi necessário. Estava tudo a cicatrizar muito bem.
A enfermeira mandou-me lá voltar no dia 6 para fazer o curativo e tirar o penso.
Já!!! Eu sabia que algum dia isso ia acontecer mas...
A cicatriz ia ficar exposta eu não queria ver. Como é que eu ia fazer para me vestir sem ver a cicatriz?
Neste mesmo dia tive consulta com a minha psiquiatra e contei-lhe que na próxima quinta-feira a cicatriz ia ficar exposta. Ela aconselhou-me a olhar quando me sentisse preparada para isso. Tudo tinha o seu tempo e eu tinha o meu.
Receitou-me outro medicamento para os dias de mais ansiedade.
- Está bem - disse eu.
Mandou-me ter com ela no dia em que ia tirar o penso para falarmos.
A minha cabeça começou a andar a mil à hora. Imaginava e treinava formas de me vestir sem olhar. Só visto.
A quinta-feira chegou. Estava nervosa. Tomei o Victam que a psiquiatra mandou. Pedi à Laide para mais uma vez me acompanhar. Ela lá foi comigo para a sala de pensos. Fazer o curativo não era muito agradável pois sentia os tecidos todos adormecidos e fazia-me muita impressão. Como estava previsto a cicatriz ficou exposta. Eu não quis olhar. Vesti-me com muito receio de não o conseguir fazer sem passar o olhos pela minha lesão. Mas consegui. Fiquei aliviada por conseguir.
A enfermeira aconselhou-me a começar a colocar Nivea a partir de domingo e se sentisse algum inchaço enrolar uma toalha e colocar debaixo do braço a fazer pressão.
Tudo bem. Iria fazer o que ela me recomendou.
A nível psicológico estava a sentir-me muito melhor. Já não chorava tanto. Sentia-me com alguma tristeza mas já não me encontrava no desespero de outrora. Bendita medicação. Obrigada Drª Susana. É um anjo.
Nova técnica de reconstrução da Mama

Cirurgiões espanhóis do Hospital German Trias
i Pujol, em Barcelona, criaram um gel de plaquetas que serve para restituir o volume da mama após a extração de um tumor, com a vantagem de que se coloca no mesmo ato cirúrgico e permite conservar a forma do peito.
A técnica é pioneira no mundo e já foi aplicada a meia centena de mulheres com resultados positivos, conforme informa a instituição de saúde em comunicado citado pela imprensa espanhola.
As plaquetas utilizadas são obtidas através do sangue de um doador e com elas elabora-se o gel com uma consistência semelhante à da mama, que restitui o volume e regenera as fibras de colagénio perdidas.
As plaquetas não são células, mas fragmentos celulares, pelo que não se corre o risco de rejeição por parte do recetor. Contêm também propriedades de crescimento e imunomoduladores que aceleram a reparação e a regeneração do tecido.
Calcula-se que 7 em cada 10 mulheres que têm um cancro da mama necessitam de realizar uma tumorectomia, cirurgia para extração do tumor no peito. Três em cada 10 necessitam mesmo de uma mastectomia que supõe a remoção total da mama.
Nas cirurgias de extração de tumor não se reconstruía a mama a não ser numa altura posterior com recurso a ácido hialurónico ou com gordura de outra parte do corpo do paciente, mas nem sempre com o resultado desejado.
A nova tecnologia liderada pelo cirurgião Joan Francesc Julián foi patenteada pelas três instituições envolvidas no projeto pioneiro: o hospital e Instituto Germans Trias, a Universidade Autonoma de Barcelona e o Banco de Sangue e Tecidos.