segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

câncer de mama feminino e masculino

Como fazer o Auto-exame (apalpação)

Regresso a casa
Faltava pouco para chegar o Ano Novo, dois dias e iniciava 2011. Eram 11horas da manhã do dia 30 quando o médico apareceu no quarto. 
- Então Ana Paula vamos passar o Ano Novo a casa?
- Só vou se for sem os drenos senão, não vou. Passo aqui o Ano Novo se for preciso.-respondi.
- Não diga disparates. Amanhã vamos ver.
Um dos drenos já não drenava. O outro ainda drenava um pouco.
Nesse dia tinha acordado mais triste do que de costume. Não estava nada bem. Tinha piorado. O meu estado psicológico estava o mais baixo possível. Sentia que já não tinha mais força para lutar.Uma enfermeira veio ver como eu estava. Mal ela me dirigiu a palavra eu desatei num pranto que só visto. Ela ouviu-me com toda a atenção. Eu estava no "fundo do poço". Perguntou se alguém da psiquiatria me veio ver pois eu estava a precisar. Respondi que não mas, que eu já andava na Drª Susana a ser seguida.
A enfermeira disse que ia chamar a Drª para ela me ver.
Sentada no cadeirão, peguei num livro para tentar ler mas, foi em vão pois eu não me conseguia concentrar.
O Jorge chegou deu-me um beijinho e perguntou-me o que se passava pois eu estava com uma cara muito triste. 
Tentei disfarçar pois eu sei que as pessoas que nos acompanham sofrem tanto ou mais do que nós e o que eu não queria neste momento, era ver o meu marido a sofrer, já chegava eu.
A Drª Susana apareceu. O Jorge deixo-nos sozinhas. Desatei logo a chorar e expliquei como me sentia à médica. Não havia dúvidas para ela. Eu encontrava-me numa depressão profunda grave. A "factura" que eu estava a pagar era muito alta para mim e eu não estava a aguentar sozinha.
Precisava de ajuda e essa ajuda seria uma medicação que ela me ia prescrever. Não solucionava nada mas, ajudava muito.
- Obrigada Doutora! Eu preciso muito da sua ajuda.
Agarrei-me a ela a chorar e a agradecer.
O Jorge entrou. As visitas começaram a aparecer. Devo agradecer muito a eles pois eu nunca estive sozinha nesta luta. Os amigos têm me ajudado e muito o meu marido, ainda mais. 
As pessoas que me visitavam diziam para eu lutar pelos meus filhos. Eles precisavam muito de mim. Eu sabia disso mas mesmo assim eu não consegui ter força. Sentia remorsos por isso. Sentia-me a pior mãe do Mundo. Nem pelos filhos! 
As únicas palavras que me saiam da boca eram: - Eu não consigo; - Não dá.; -Eu não tenho mais forças.
E dizendo isto chorava com a maior dor que sentia no peito.
Custou-me muito a adormecer. Essa noite foi das piores.
Sexta-feira dia de Ano Novo. Iníciei a toma dos anti-depressivos. Estava numa tristeza que só visto. Uma voluntária ao ver-me assim agarrou-me no braço e começou a falar comigo. Disse-me que tinha passado pelo mesmo e que agora estava bem. Mostrou-me a reconstrução que tinha feito a ambas as mamas. Eu tinha que lutar, tinha que olhar para a frente.
- Eu sei!- respondia eu mas é dificil.
Chegou a hora de tomar banho. Uma auxiliar veio-me ajudar.
Ao ver a minha tristeza conversou comigo tentando me ajudar. Mas não havia nada que ela pudesse fazer ou dizer que me fizesse ficar melhor.
Depois do banho fui para a sala de pensos. A enfermeira perguntou se eu já tinha visto a cicatriz ao qual eu respondi que não e que não queria ver. Aconselhou-me a fazer o quando antes mas eu, não queria ver para já.
Fui para o quarto. O Jorge chegou cumprimentou-me e perguntou se o médico já tinha passado pelo quarto.
- Ainda não.- disse-lhe eu.
Mas não demorou muito. Entrou, viu o saco com os drenos e deu-me alta. Voltei para a sala de pensos para tirar os drenos. Estava com medo pois pensava que me ia doer. A enfermeira disse-me para descontrair que não doia nada. Eu não estava nada convencida mas tinha de ser e tinha por isso...
A verdade é que não doeu. Apenas uma sensação de váco era o que eu tinha sentido. Voltei para o quarto para me vestir pois estava em pijama. A enfermeira disse para eu esperar pois faltava tratar dos papeis da alta e a Drª Susana a minha psiquiatra faltava prescrever a minha medicação.
Vesti-me e ficamos a aguardar. Poucos minutos depois apareceu a médica para me ver e para me dizer como tomar os anti-depressivos. Despei-me dela com um beijinho e um abraço muito apertado. Ela entende-me pensava eu.
A enfermeira apareceu no quarto para me dar os papeis da alta. Ia para casa. Ia ver os meus filhotes. Não ia muito feliz mas... ia para o meu lar.

Cirurgia
Do Bloco Operatório lembro-me muito pouco. Tenho partes desta história que não me recordo.
Lembro-me de ver as luzes, de me colocarem o aparelho de medir as tensões na perna direita, de me colocarem umas ventosas no peito e da médica anestesista falar comigo. Penso que ainda disse que me estava a sentir esquisita mas, não tenho bem a certeza de o ter dito e apaguei!!! Entrei num sono profundo.
Depois lembro-me de acordar, querer abrir os olhos e não conseguir. Alguém  me disse que a operação correu bem e que o meu gânglio sentinela deu negativo mas, não sei quem foi apenas sei que era uma voz masculina.
Disse que me doía a garganta e que tinha sede. Ouvi a voz da Laide a dizer que a enfermeira disse que eu podia beber mas, devagar. Bebi de olhos fechados pois eu não me lembro de ver as pessoas à minha volta. Comentei que tinha frio e devo ter adormecido pois não me lembro de mais nada. A meio da noite tinha calor. Retiraram-me o edredão não sei se fui eu que chamei alguém ou se já estava alguém à minha beira e adormeci novamente.
Acordei de manhã bem cedo alguém chamou por mim. Aí já me recordo bem. Duas enfermeiras vieram-me ver. Reparei que tinha qualquer coisa agarrada a mim. A enfermeira disse-me que eram os drenos que tinha de ter cuidado. Disseram-me que eu tinha de fazer chichi mas eu disse que não tinha vontade. A enfermeira afirmou que eu tinha de fazer senão iam colocar a algália. Colocaram-me a aparadeira e eu lá fiz.
Depois deram-me banho na cama. Vesti um pijama lavado e colocaram-me no cadeirão ao lado da cama.
Vieram as auxiliares e fizeram a cama de lavado. O médico passou.Os drenos eram especiais e que eu podia ir para casa com eles. Eu disse que não queria. Perguntou-me porquê ao qual eu respondi que tinha dois filhos pequenos e não queria que eles me vissem assim. O médico compreendeu e sendo assim disse que eu tinha de ficar no hospital 4 ou 5 dias.
Foi embora. Passado uns minutos chegou o Jorge. Ficou contente de me ver no cadeirão. Veio a Laide me visitar e logo a seguir as minhas amigas. Estivemos a conversar. Por volta do meio dia veio a comida. Estava de dieta liquida. Comi então duas sopas passadas. O Jorge foi também almoçar ao bar do I.P.O..
Da parte da tarde tive também muitas visitas. A cama ao meu lado foi retirada do meu quarto ia ter companhia.
Estive sempre distraída com as visitas. Não ocupava o meu pensamento com coisas tristes. Mas quando chegou a noite foi terrível.
O Jorge foi embora eu fiquei sozinha, a noite não é a melhor das conselheira. Desatei a chorar como nunca. Já não tinha a minha mama. No seu lugar existia um vazio enorme tapado por um enorme penso. Duas enfermeiras apareceram e viram-me a chorar. Estive a desabafar com elas o que ajudou um pouco. Pedi para me darem qualquer coisa para dormir. Ao fim de muito choro consegui adormecer.
Na manhã seguinte quando acordei e tomei consciência da minha realidade desatei novamente a chorar. Era só o que eu conseguia fazer. O pior foi depois. Eu tinha de tomar banho e depois tinha de fazer o penso. Eu já sabia que ia fazer o penso no dia anterior por isso, pedi à Laide e ao meu marido para virem mais cedo.
Eu não queria tomar banho, eu não queria olhar para mim. Chorar, chorar, chorar era o que eu fazia de melhor.  Quando a Laide chegou eu estava num pranto. Perguntei pelo Jorge. Ele estava na sala de espera. Fui ter com ele a agarrei-me a ele a chorar a dizer que não queria tomar banho, que não queria olhar para mim.
A Laide ofereceu-se para me dar banho. Eu apensar de tudo aceitei pois tinha mais confiança com ela. Lá fui eu. Muito contra a minha vontade mas tinha de ser. A Laide é um amor lavou-me com todo o carinho e foi sempre conversando comigo.
 De seguida acompanhou-me para a sala de pensos. A enfermeira foi um amor. Fez-me o penso com muita calma e muito cuidado. Eu estava com alergia aos pensos tinha muita comichão.
Ouvi a voz o meu marido.
- Vem ai o médico -disse eu
- Como sabes- disse a Laide
- Eu ouvi o Jorge a falar com alguém. Só pode ser com o médico ele não conhece mais ninguém!
Assim foi. O médico entrou. Chegou na hora certa. Viu a minha cicatriz e disse que estava tudo ok.
A enfermeira acabou de fazer o penso e eu regressei para o quarto. O Jorge vei ter comigo. A Laide disse-lhe que estava tudo bem e que a minha cicatriz estava muito perfeita, muito bonita. Duvidei com pode uma cicatriz ser bonita!!  Devia de estar horrivel, vermelha, feia. Pelo menos não tinha pontos, não tinha de passar pelo tormento de os tirar pensava eu.