sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

                                
Chegou o Dia
Voltando novamente ao relato da minha história.
Passado uns dias voltei ao I.P.O. para marcar a cirurgia. O médico sugeriu dia 21 de Dezembro mas não havia a garantia que eu saia dia 24 de Dezembro véspera de Natal. Disse-lhe que queria passar o Natal com os meus filhos que ainda eram pequenos. O médico compreendeu e marcou então para dia 27 de Dezembro. Estava marcada a data da minha mutilação, pensava eu. Passei o meu tempo a trabalhar na escola. Depois da entrega das avaliações fiquei sempre em casa.
O Natal chegou. Passei em casa com toda a minha família, vi a alegria dos meus filhos a abrirem as prendas, brinquei com eles e pensava que dali a 3 dias estava internada. O tempo passou depressa, depressa demais. O dia da cirurgia chegou. O meu marido foi-me acordar eram 7:30 da manhã pois às 8:30 tinha consulta de anestesia. Vesti-me e arranjei-me a chorar.
Os meus filhos ainda estavam a dormir. Fui despedir-me deles com um beijinho várias vezes dizendo-lhes baixinho que os amava e que sempre os ia amar. Pedi ao meu marido que me prometesse que se alguma coisa corresse mal ele dissesse sempre aos meus filhos que eu sempre os amei e que ia estar sempre ao lado deles. O meu marido disse para eu parar com esses disparates e que não prometia nada porque ia tudo correr bem. Saímos de casa eram quase 8 h, A minha vizinha já estava à nossa espera pois ela ia-me acompanhar até ao quarto, piso onde ela trabalhava e depois até ao bloco.
Chegamos ao I.P.O. e fomos logo para a unidade da anestesia. Passado um bom bocado fui chamada por uma enfermeira que me pesou e mediu as tensões. Sai e fui novamente para a sala de espera pois ainda ia ser atendia por uma médica. Assim foi a médica chamou entramos, para uma sala pequena onde me fez uma série de perguntas. Sai novamente para a sala onde ficamos novamente à espera.
Passado uns tempos apareceu um auxiliar que nos chamou a mim e a mais duas senhoras que vim a descobrir depois que também iam fazer cirurgia à mama. Fomos conduzidas para a medicina nuclear. Quando lá chegamos o auxiliar entregou os nossos processos e mais uma vez ficamos a aguardar. Fui chamada por uma enfermeira. Entrei e fui para uma sala onde fui picada 4 vezes na mama que ia ser retirada. Injectaram-me um liquido para depois me fazerem uma leitura. Chorei ao fazerem-me as picadas agarrada à mão da enfermeira.  Estava muito nervosa. Saí a chorar para uma sala de isolamento pois o liquido injectado era radio activo. Não estive lá muito tempo. O auxiliar voltou lá para nos ir buscar. Voltamos para a sala da anestesia pois o saco com as minhas coisas tinha lá ficado. Estivemos lá uns 15 minutos. Novamente apareceu o auxiliar a chamar-nos para nos conduzir aos quartos.
 Fui para o piso 9 como estava previsto pois a Laide tinha pedido para eu lá ficar.
Cheguei lá já tinha cama porque no dia anterior tinha já tinha reservado a minha cama. As doentes quando chegam ainda ficam à espera eu não fiquei, graças a ela. Nesse mesmo dia ainda tive uma visita do meu colega de trabalho Paulo que me levou um livro para ler. A enfermeira entrou para me começar a preparar pois eu ia ser a primeira a ser operada. Colocou-me um cateter no braço direito e fez-me a depilação na axila esquerda. Estranho pensei eu pois, no papel que me entregaram diziam para eu não fazer a depilação por causa de possíveis infecções mas, elas é que sabem. Deram-me um calmante. Achei bem pois eu estava uma pilha de nervos. Estivemos na conversa no quarto. Nesse dia estava muito frio e o quarto estava gelado. Vesti o meu pijama e as minhas meias pois estava cheia de frio.
Apareceu uma auxiliar no quarto com uma cadeira de rodas e uma manta. Vinha-me buscar para ir à medicina nuclear novamente para fazer a leitura à mama. Estava um frio! Cheguei fui logo chamada. Entrei para um sala com um aparelho enorme. Colocara-me deitada no tal aparelho, ajustaram-no e fiquei ali deitada uns 20 minutos depois, o médico que com uma caneta riscou a minha mama. Sai para a sala à espera que alguém me viesse buscar. Ao fim de 5 minutos lá estava a auxiliar pronta para me levar novamente para o quarto.
Quando lá cheguei lá estava o meu marido e a Laide. Ainda estivemos um pouco na conversa até que apareceu outra enfermeira com uma bata. Estava na hora. O bloco operatório já tinha chamado por mim. Comecei a chorar era agora!
A enfermeira desapareceu e voltou novamente com outro calmante ainda mais forte. Vesti a bata deitei-me na cama e lá fui eu com a enfermeira e com a Laide para o bloco. O meu marido também me acompanhou. Chorava e pensava nos meus filhos. Cheguei ao bloco, agarrei a mão da Laide e pedi-lhe para dar um beijinho aos meus filhos.
Passaram-me para uma espécie de tapete rolante e colocaram-me noutra cama. Eu tremia por todos os lados com frio e nervos. Colocaram-me uma touca e levaram-me para o bloco operatório.