terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Primeira visita ao I.P.O.

Tenho uma vizinha minha que trabalha no I.P.O. como auxiliar ela tem sido um verdadeiro anjo da guarda para mim. Ajuda-me nas voltas que tenho de dar lá dentro. Ela conhece toda a gente lá dentro,o que tem sido uma mais valia para mim. Além disso ela é uma querida. No dia 15 de Novembro ela foi comigo e com o meu marido à 1ª consulta ao I.P.O.. Primeiro falei com uma enfermeira que me fez uma série de perguntas e só depois tive a consulta com a médica. Ia cheia de medo. Eu e o Jorge sentamo-nos. A médica  perguntou então porque é que eu estava ali. Expliquei o porquê de estar ali e mostrei-lhe os exames que tinha feito. Ela examinou e depois pediu-me para me despir da cinta para cima para fazer a apalpação. Eu assim fiz. Logo de seguida ouvi o que eu tanto temia. A mama em principio era para tirar. Comecei a chorar compulsivamente. A médica disse-me que era o melhor para mim. Se queria viver ainda mais uns bons anos tinha de tirar a mama. Eu só chorava. Nada do que ela me dizia me consolava.Nada. Ela dizia que eu tinha de ser forte, que tinha de ter coragem para enfrentar esta batalha. Aquela luta era minha e eu tinha de lutar com todas as forças dizia ela. Eu entendia tudo aquilo que ela me dizia e concordava mas,não me conformava com o facto de ter de perder o meu seio. Não, não, não era a única palavra que me saia da boca. Pediu-me para eu fazer uma mamografia e que esperasse mais um pouco que eu ia fazer uma biopsia.
-Outra? -perguntei eu.
-Sim esta é diferente é para  saber se o carcinoma é ou não evasivo. Não custa nada.
Segundo eles nunca custa nada mas eu é que sei o quanto me doeu fazer a outra biopsia.

A enfermeira levou-nos para uma sala. Eu agarrei-me ao marido a chorar.Ele dizia-me que ia correr tudo bem, que depois mais tarde fazia a reconstrução. Quanto mais ele falava mais eu chorava e dizia que não, não e não. A enfermeira entrou e começou a preparar as coisas para me fazerem a biopsia. Poucos minutos depois entrou a médica. Eu estava nervosa lá ia eu sofrer outra vez. Mas desta vez eles tinham razão. Não me doeu nada. Deram-me uma anestesia local e recolheram o que era necessário para analisar. No fim a enfermeira deu-me gelo para por na mama e disse-me para na saída marcar uma consulta de grupo para dali a oito dias. A minha vizinha foi-me marcar a consulta enquanto eu estava com o meu marido a pagar o estacionamento do carro. Eu encontrava-me numa tristeza profunda. Durante toda a viagem até a casa eu não falei só chorei. De tarde fui para o trabalho. Não tive coragem de entrar na sala de aula por isso,a colega que tinha ficado com a minha turma da parte da manhã continuou o seu trabalho. A minhas amigas mal me viram vieram logo ter comigo. A única coisa que eu sabia fazer era chorar, chorar e chorar. Expliquei-lhes o que me tinha dito.Provavelmente  teria de tirar a mama dependia agora do resultado da biopsia. A Betinha agarrou-se a mim e disse-me:
- Ainda há uma esperança deixa ver.
Aquelas palavras trouxeram-me calma, trouxeram-me algum alento. É verdade havia ainda alguma esperança.