sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Resultado da Biopsia

A Betinha a minha amiga já não sabia o que dizer. A funcionária da Clínica dava-me beijos e eu chorava, chorava. Pedi para ligarem ao meu marido que mal soube a noticia, veio logo ter comigo. A Marta outra amiga da escola também veio dar-me apoio. Eu estava como devem imaginar inconsolável. Quando o meu marido chegou, agarrou-se a mim a dizer que tudo se ia resolver. Ligaram à minha médica de família a contar o que se passava e ela disse para eu passar no dia seguinte de manhã no centro de saúde. Fui embora. A minha cabeça doía. O Jorge, o meu marido, agarrava-me na mão e dizia:
-Tudo se vai resolver. Está tudo no inicio. Tu vais ver, não vai ser nada.
Cheguei a casa a chorar. Os meus filhos quando nos viram a chegar ficaram todos contentes. Eu tentei enxugar as lágrimas mas em vão. Quando eles correram para os meus braços, desatei a chorar novamente. Os meus sogros tentaram-me dar força, força que eu já não tinha.
Na manhã do dia seguinte meu mundo desabou mal abri os olhos. Tomar conta desta terrível realidade foi... nem tenho palavras para descrever. Vesti-me, chorei, barafustei, questionei o porquê eu? Fomos para o Centro de Saúde. Fomos atendidos pela médica que leu o relatório e encaminhou logo um fax para o I.P.O. Porto. Falou calmamente comigo tentando-me consolar e dizendo para me preparar para o pior pois podia ter de tirar a mama. Tal ainda não me tinha passado pela cabeça mas mal ela disse estas palavras eu chorei, chorei muito com uma dor apertada no peito, com um sofrimento atroz.
- Ana pode não ser preciso mas vai preparada para o pior. Se a notícia for boa melhor.- dizia a médica.
Existia essa possibilidade ter de tirar o peito.
Fui trabalhar de tarde ou melhor tentar trabalhar. Não tinha cabeça para dar aulas. Eu tinha cancro da mama e podia ter de tirar o peito. Com tais pensamentos como podia eu trabalhar!
As minhas grandes amigas, sim grandes amigas na verdadeira acessão da palavra, sempre me apoiaram, sempre me mimaram. A elas eu devo muito, mesmo muito. A Betinha, a Martinha, a Lilinha e a Paulinha foram fantásticas deram-me sempre carinho, nunca me deixaram sozinha e deram-me sempre bons conselhos.