segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



Olá amigas(os) vou continuar a dar informações sobre o cancro da Mama. Boa leitura.





Quais as mudanças que ocorrem, ao longo da vida, na mama normal?

Desde o início da puberdade e durante toda a vida, a mama está em constante mudança.
Conhecendo estas mudanças, a mulher poderá reconhecer qualquer alteração que surja (espessamento ou nódulo), sempre que faça o auto-exame da mama.

Puberdade: o crescimento das mamas, que começa antes do ínicio da menstruação, é controlado pelas hormonas femininas.

Ciclo menstrual: sob a influência das hormonas femininas, as mamas, na semana antes da menstruação, aumentam de volume por acumulação de líquidos; podem, assim, aparecer nódulos que diminuem ou desaparecem na semana seguinte à menstruação.

Gravidez: durante o período da gravidez, as mamas tornam-se mais tensas e aumentam de volume. Depois da amamentação, regra geral as mamas voltam ao seu volume normal.

Menopausa: nesta fase do ciclo hormonal feminino, as glândulas mamárias começam a reduzir de tamanho - início da menopausa. O tecido fibroso que suporta as mamas torna-se menos duro e, nas mulheres mais velhas, as mamas tornam-se menos firmes e, por vezes, "caídas".

Mudanças no peso corporal: tendo em conta que as mamas contêm uma quantidade elevada de gordura, podem ocorrer mudanças significativas, conforme se aumenta ou diminui de peso.



Quais as principais alterações funcionais benignas da mama?

Estas alterações caracterizam-se por dor e espessamento ("endurecimento" mamário, ou “durão”) que, regra geral, piora no período pré-menstrual e tem um carácter cíclico.
Surgem depois da adolescência, tendem a melhorar com a gestação (gravidez) e lactação, e desaparecem na menopausa.
Estas alterações são benignas; a probabilidade de uma mulher com alterações funcionais benignas da mama vir a ter um cancro da mama é semelhante à das outras mulheres, ou seja, não aumenta o risco de cancro da mama.
A dor mamária é comum na mulher moderna, provavelmente devido à acção hormonal contínua dos estrogénios (hormona feminina) produzidos pelos ovários, em pessoas que engravidam tarde, poucas vezes e quase não amamentam.


O que é um fibroadenoma?

O fibroadenoma é um nódulo (tumor) de origem e evolução benigna mais comum da mama.
É muito frequente em mulheres após os 20 anos e pode ser múltiplo e bilateral. Podem manter-se toda a vida na mama (se não forem retirados) ainda que alguns desapareçam completamente na menopausa.
Muitas vezes o fibroadenoma provoca alguma ansiedade sobretudo pelo receio que possa ser não uma alteração benigna mas um cancro, ou ainda pelo facto (não verídico) de poder aumentar o risco de cancro da mama ou de evoluir de lesão benigna para maligna.
No exame clínico da mama, o fibroadenoma é um tumor duro, móvel (salta muitas vezes debaixo dos dedos), bem definido e bem delimitado, não doloroso, não aderente (não está fixo) ao tecido que o rodeia, e tem um tamanho médio mais frequente de 2 a 3 centímetros. Na maioria dos casos quando é palpável é descoberto no auto-exame. tanto pelo médico como pela mulher. Tendo em conta que o fibroadenoma "responde" às alterações hormonais da mulher, que ocorrem durante o ciclo menstrual, pode aumentar de tamanho e ficar doloroso, na fase antes da menstruação.
O diagnóstico "certo" de fibradenoma é feito através de uma biópsia do nódulo e respectivo exame e análise anátomo-patológica. No entanto nem todos têm necessidade de biopsia.
Um nódulo de fibroadenoma pode sempre ser removido, ainda que seja de evolução benigna. Tal significa que, se tiver um fibroadenoma, poderá optar pela sua remoção, depois de discutir essa possibilidade com o seu médico ou, por outro lado, ficar apenas em "observação", com exames regulares de controlo do nódulo.


O que é um quisto?

Os quistos na mama, são pequenos "sacos" cheios de líquido que se desenvolvem no tecido mamário.
Os quistos aparecem, naturalmente, com as alterações que ocorrem na mama, nomeadamente com a idade; são mais comuns em mulheres com idade entre os 35 anos e o início da menopausa.
Junto à superfície, os quistos são macios; no entanto, mais profundamente no tecido mamário tornam-se massas duras. Os quistos podem desenvolver-se em qualquer parte da mama, embora sejam encontrados com maior frequência na metade superior. Algumas mulheres sentem algum desconforto, ou mesmo dor, com os quistos. Raramente aparece só um, ou seja são mais vezes múltiplos. Os tamanhos são pouco importantes, a não ser pelo desconforto que possam provocar.
Amigas(os) tenham todos um Bom Dia. Muitos beijinhos

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A caminho da 2ª sessão de quimio
Amigas(os) amanhã de manhã vou fazer a manutenção do meu novo cabelo e à tarde vou fazer analises para na Terça-feira fazer a segunda sessão de quimio. Espero que esteja tudo bem pois não quero faltar a nenhuma sessão.
Quero fazer tudo dentro das datas propostas. Quero terminar o mais rápido possível
Notícia

Laço e tupperware sensibilizam mulheres para o cancro da mama.
A associação laço e a tupperware assinam acordo no âmbito de uma campanha de promoção que decorrerá até ao próximo dia 5 de Março. É a primeira vez que a marca se associa a esta causa, assumindo o compromisso de sensibilizar as mulheres com quem contacta.

sábado, 26 de fevereiro de 2011


Amigas(os)hoje sempre fui rapar o meu cabelo. Acordei bem cedo pois tinha de estarno centro capilar Svenson às 9 horas em ponto. Não foi fácil mas conseguir vencer mais uma etapa. Ora vejam lá como ficou. Não estou nada mal pois não?
Quase não se nota que é cabeleira. Elas lá tratam-nos com muito carinho. Eu não vi nada só vi o resultado final.
O meu filhote não reparou só falta ver a reacção da minha filha. Hoje ainda não a vi. Ela foi passear com os avós a Torres Novas e volta mais logo vamos lá ver como vai reagir.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tristeza
Não suporto mais. Não suporto mais ver o meu cabelo a cair. Estou farta de chorar. Já liguei para o meu marido a pedir opinião se corto ou não o cabelo. Como ele diz é uma questão de tempo mais dia menos dia tinha de ser. Liguei também para as minha amigas a pedir "colinho".


Agora decidi vou mesmo cortar o cabelo. Liguei para o centro capilar Svenson para colocar amanhã a minha cabeleira oncologica. Estou à espera de resposta se pode ser já amanhã.
Que sina a minha! Triste sina a minha! Uma vez mais porquê eu!

 
Agora vou publicar informações sobre o cancro da Mama.

Qual a estrutura normal da Mama?

As mamas são glândulas secretoras e estão situadas diante dos músculos peitorais que, por sua vez, cobrem as costelas.
A mama feminina é  constituída por lóbulos, ductos e estroma. Cada mama encontra-se dividida em 15 a 20 secções, os chamados lobos. Por sua vez, os lobos são constituídos por muitos lóbulos, mais pequenos; é aqui que se encontram as células que produzem o leite. O leite flui dos lóbulos, até ao mamilo, através de uns canais finos, os ductos – galactóforos.
Entre os lóbulos e separando a glândula da pele e da parede torácica está o estroma, constituído por tecido adiposo (gordura) e tecido conjuntivo que rodeia e suporta os ductos, lóbulos, vasos sanguíneos e linfáticos.
O mamilo situa-se no centro da aréola (habitualmente mais escura que o resto da pele da mama.

As mamas podem, ter tamanhos, formas e consistencia variadas e, durante a vida essencialmente dependentes das alterações hormonais que a mulher sofre ao longo da vida (idade, ciclo menstrual, gravidez, da menopausa).
Para facilitar a localização das alterações observadas na mama é frequente a divisão em quatro partes (quadrantes); pode, ainda, ser utilizada a analogia com as horas, ou seja, "recorrendo aos ponteiros do relógio" para identificar um tumor.
A mama tem, ainda, vasos sanguíneos que transportam o sangue e vasos linfáticos, que transportam a linfa. Os vasos linfáticos terminam nos gânglios linfáticos (órgãos pequenos e arredondados).
Na região da mama, existem vários grupos de gânglios linfáticos: nas axilas (debaixo do braço), acima da clavícula e no peito (atrás do esterno); existem, ainda, gânglios linfáticos em muitas outras partes do corpo.

A principal função dos gânglios linfáticos é "prender" e reter “substâncias estranhas” ao nosso organismo que circulem no sistema linfático, como as bactérias, as células cancerosas ou outras substâncias estranhas. Funcionam como se fossem pequenos filtros.
Quando as células de cancro da mama entram no sistema linfático, podem ser encontradas nos gânglios linfáticos na região da mama (gânglios regionais) e detectadas através de exames específicos
Ora aqui vão mais umas informações

Quais os diferentes tipos de cancro?

O estudo anatomopatológico permite classificar e saber qual ou quais os tecidos e células das quais provém o tumor, e quais as características das mesmas. Estes factores são fundamentais para determinar o tratamento mais adequado, caso a caso.
Desta forma, de acordo com o tipo de células envolvidas, existem vários tipos de cancro.

Algumas terminologias aplicadas aos tipos de cancro mais comuns são as seguintes:

Carcinoma: é um tumor maligno que tem origem na membrana que cobre os órgãos, ou seja, nas células epitelilais. Aproximadamente 80% dos tumores cancerígenos são carcinomas.

Melanoma: é um tumor maligno que tem origem nas células que produzem a coloração da pele, ou seja, nos melanócitos. Quando detectado numa fase precoce, o melanoma é quase sempre curável. No entanto, é provável que se dissemine ou metastize para outras partes do corpo.

Leucemia: vulgarmente conhecido como o cancro no sangue. As pessoas com leucemia apresentam um aumento considerável dos níveis de glóbulos brancos (leucócitos).

Linfoma: tem esta designação por se tratar do cancro no sistema linfático. O sistema linfático é constituído por uma rede de gânglios e pequenos vasos, que existem em todo o corpo, e cuja função é combater as infecções. O linfoma afecta um tipo específico de células – os linfócitos.
Os dois principais tipos de linfoma são o Linfoma de Hodgkin e o Linfoma não Hodgkin.

Sarcoma: tumor maligno com origem nas células dos tecidos de suporte, como o osso, a cartilagem, a gordura e os ligamentos.
Mais um dia
Bom dia amigas(os) mais um dia se passa. O meu cabelo continua a cair mas eu ainda não ganhei coragem para o cortar. Eu já tenho uma cabeleira fixa de cabelo natural à minha espera para eu colocar mas ainda não fiz. No centro capilar Svenson em Stª Catarina fazem-me tudo. Rapam-me o cabelo, colocam-me a cabeleira e fazem-me a manutenção ( 15 sessões). Eu não preciso de me ver sem cabelo. Já me ligaram a dizer que já lá está o sistema, é assim que eles chamam, e se eu já queria colocar. Mas eu sinceramente custa-me muito rapar o meu lindo cabelo. Vou até à última. Só o vou fazer quando já não der mais.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mais sobre a Divisão Celular
O processo de divisão celular é regulado por uma série de mecanismos de controlo, que “dão ordem” à célula para se dividir ou para permanecer estática (não se dividir), consoante as necessidades do nosso organismo. Como exemplo, temos as células superficiais da pele: como há um “desgaste” constante, as células subjacentes estão continuadamente a dividir-se, a um ritmo predeterminado e estabelecido, para poder haver substituição. Todo este processo é regulado por “mensagens impressas” nos genes, que se situam nos cromossomas.
Numa célula, quando estes mecanismos de controlo são ou estão alterados, as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento iniciando, esta célula e as suas descendentes (células filhas), uma divisão descontrolada, com as células a dividirem-se e a multiplicarem-se muito rapidamente e de forma aleatória que, com o tempo, dará lugar a um tumor – massa formada pela divisão repetida de células anormais.
 O cancro tem origem nas células, e é a consequência das células receberem mensagens "erradas", provenientes dos seus genes. A investigação molecular recente demonstrou que, por vezes, um gene que tem estado inactivo, nas células normais, por algum motivo entra em actividade e pode ser responsável por estas mensagens inadequadas. Estes genes “promotores” do cancro são designados "oncogenes".
 Quando as células recebem a "ordem" de divisão "errada", podem acontecer várias coisas:
 A divisão celular torna-se descontrolada: a célula cancerígena e as suas descendentes (células filhas) dividem-se mais depressa do que as células dos tecidos "vizinhos".As células "filhas" são, geralmente, menos especializadas do que as células normais a que correspondem; muitas vezes, embora conservem algumas características da célula normal de origem, são incapazes de desempenhar as mesmas funções desta.
Como as células cancerosas continuam a dividir-se mais depressa do que as dos tecidos vizinhos, formam uma massa volumosa e, através de um processo designado "infiltração", começam a "abrir caminho" por entre as células em seu redor.

Ao fim de algum tempo, as células cancerosas que romperam o seu tecido, podem alcançar um vaso sanguíneo ou um canal linfático, onde pequenos grupos de células do cancro podem "soltar-se" e entrar em circulação, podendo "depositar-se" noutras partes do corpo, onde formam outro cancro - secundário (metástases): este processo tem o nome de metastização.

A palavra “cancro” permite identificar, de forma genérica, o vasto conjunto de doenças que são os tumores malignos. Estes são muito diversos, com causas, evolução e tratamento diferentes, para cada tipo de tumor maligno, mas tendo em conta uma característica comum: a divisão e crescimento descontrolado das células.
No entanto, é importante perceber que nem todos os tumores dão origem a cancro.
Os tumores podem ser benignos ou malignos, sendo as principais diferenças:
 
Tumores benignos
Tumores malignos
Não são "cancro"São "cancro"
Regra geral não põem a vida em riscoPodem pôr a vida em risco
Podem ser removidos (salvo excepções)Podem ser removidos (salvo excepções)
Muitas vezes regridemPodem voltar a aparecer ou crescer (recidivas)
As células não metastizam (não há disseminação)As células podem invadir e danificar os tecidos e órgãos "vizinhos" e podem, ainda, libertar-se do tumor de origem (ou primário) e entrar em circulação - metastização à distância

Quando as células tumorais "entram" nos vasos linfáticos ou nos vasos sanguíneos, entram em circulação e podem "colonizar" outros órgãos, mesmo à distância - significa que o tumor está metastizado. Neste caso, o "novo" tumor tem o mesmo tipo de células "anormais" do tumor primário.

Exemplo: Se as células de um cancro da mama metastizarem para o osso, as células tumorais encontradas no osso serão células de "cancro da mama" (tumor secundário) - estamos perante um cancro da mama metastizado e não um tumor ósseo primário, devendo ser tratado como cancro da mama.

Quando não é diagnosticado a tempo, o tumor pode "espalhar-se" pelo organismo - metastizar -, tornando o seu "combate" bastante mais complexo.
O nome dado a grande parte dos cancros provém do tumor inicial ou de origem. Por exemplo, o cancro do pulmão tem início ou origem nas células do pulmão, enquanto o cancro da mama tem origem nas células da mama. O linfoma é um tipo de cancro com origem no sistema linfático; por seu lado, a leucemia tem início nas células brancas do sangue ou leucócitos.
Mais uma Etapa
A primeira quimio já passou como publiquei no dia 9 de Fevereiro. Estive de ressacar durante cinco dias. Nem parecia eu. Apoderou-se de mim um cansaço!!!!!
 Agora estou melhor mas confesso que estou com medo da próxima.
O meu cabelo infelizmente já começou a dar sinais de queda. Sai em fios. Estou muito triste por isso mas não posso fazer nada. Faz parte do processo. Os pelos também já começaram a cair. Esses eu não me importo nada até podia não crescer mais.
Estou também preocupada com dois nódulos que me apareceram nas ecografias que fiz. Um no útero e outro no fígado. A médica disse-me para não me preocupar, que ela não está preocupada mas, mesmo assim estou com receio. Só vou sossegar quando fizer a tac hépatica. No I.P.O. este exame está atrasado 6 meses por isso se a médica da direcção der ordem vou realizar o exame fora. Não consigo esperar tanto tempo.
A boa noticia é que depois da quimio a médica vai-me marcar uma consulta na cirurgia plástica para a minha reconstrução. Vamos lá ver!!
Dia 28 segunda-feira vou fazer as analises para no dia 1 de Março fazer a segunda sessão de quimio. Espero que esteja tudo bem.
Queridos leitores espero que estas informações que publico aqui vos sejam úteis. Vou publicando à medida que conto a minha história.  As informações e as imagens que aqui publico não são da minha autoria. São pesquisadas e retiradas da net. Espero que gostem beijinhos.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O que é o cancro? Como tem origem o cancro?

É imprescindível ter presente que ao termo “cancro” correspondem mais de cem doenças diferentes, com diferentes causas, com diferentes factores de risco, com diferentes tratamentos e com diferentes prognósticos. Assim, sendo doenças tão afastadas entre si como são o cancro da mama e o melanoma, as leucemias e o cancro da próstata ou o cancro do cólon e os linfomas, têm, no entanto, um conjunto de características comuns que lhes conferem uma identidade própria, uma evolução semelhante, um significado biológico próximo.
 De uma forma geral, as doenças oncológicas são caracterizadas pela existência de células anormais, crescendo de uma forma descontrolada, com a capacidade de invadir os tecidos vizinhos e de se distribuírem, por vezes, por locais distantes da localização inicial, originando as metástases à distância. Outra característica comum, e com bastante importância, é o facto de todas se denominarem neoplasias (de NEOS = novo + PLASIA = crescimento).
 O nosso organismo é constituído por muitos milhões de células – unidades microscópicas; um conjunto de células forma um tecido que, por sua vez, forma os órgãos do nosso corpo.
 Normalmente, as células crescem e dividem-se, periodicamente e de forma regular, para dar lugar a novas células.
 No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células, com a finalidade de manter a integridade e correcto funcionamento dos diferente órgãos.
 No entanto, este processo ordeiro e controlado pode correr mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite delas e as células velhas não morrem “de acordo com o que estaria previsto”. Este conjunto de células “em excesso” forma um tumor.
 No processo de divisão celular, cada célula “mãe” divide-se e dá origem a duas “células filhas”, de características semelhantes.
Na divisão celular normal, cada célula “passa” por diversas fases de “preparação”, para que todo o processo decorra com normalidade.
Em condições normais, este é um processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo.

Consumo de alimentos saudáveis pode ajudar na prevenção do cancro
Os médicos do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, no Brasil, afirmam que o consumo de alimentos variados, de qualidade e em quantidade adequada é um dos principais factores na prevenção do cancro, noticia o site Jornal Hoje.
O sector de nutrição do hospital preparou uma lista com alguns desses alimentos. Uma fonte de betacaroteno está presente em todos os produtos amarelos ou alaranjados, como a cenoura, a manga e a abóbora.

Alimentos amarelos ou alaranjados

“Há alguns estudo que demonstram que o betacaroteno tem um factor de protecção contra os cancros do pulmão e o da mama”, explica Ana Carolina Vieira Sandrini, nutricionista.
O componente “ajuda o organismo a fazer uma limpeza do interior das células. Acredita-se que uma das formas de enfrentar o cancro seja diminuir a quantidade de oxidação dentro das células, por isso facilitaria a morte celular das células cancerosas”, diz Paulo Hoff, oncologista.
A nutricionista afirma que dar preferência à fruta em pedaços é melhor, por causa da fibra. “Diminui o risco de ter prisão de ventre e está associado a uma formação menor de pólipos e cancro do intestino. A ideia é que haja um tempo menor de exposição de substâncias tóxicas no intestino”, revela.

Alimentos vermelhos

A melancia, o tomate e outros alimentos vermelhos têm o chamado licopeno. “É uma substância muito importante. A maior parte dos estudos foram feitos no âmbito do cancro da  próstata, mas o licopeno ajuda certamente no combate a outros tipos de cancro”, afirma o oncologista.
Os especialistas explicam que não adianta comer um prato enorme de peixe hoje e depois passar semanas, ou meses, sem este alimento na ementa. O peixe é sempre apontado como uma boa opção alimentar por nutricionistas e médicos, porque tem uma gordura boa, chamada ómega 3, que também é um factor de proteção contra o cancro.
As opções são variadas. “Por exemplo, sardinha, atum, cavalinha, arenque, salmão, bacalhau. Mais ou menos um filete por dia”, sugere a nutricionista.

Ómega 3

O ómega 3 também se encontra na linhaça e, em alguns tipos de óleo, como o de soja e o de canola, mas sem exageros, porque pode aumentar o “mau” colesterol, o LDL. É possível obter dois benefícios desta semente. “A linhaça inteira tem o benefício da fibra, mas o factor de protecção do ómega 3 obtém-se através da semente desfeita, porque se a linhaça estiver inteira não é digerida pelo organismo”, explica.
A carne também ajuda na prevenção do cancro. “A recomendação mundial de prevenção do cancro é limitar o consumo de 500 gramas de carne por semana”, diz Ana Carolina.
Os especialistas alertam para os grelhados queimados, as pipocas queimadas ou o pão torrado demais . "Produtos de alta combustão, que levam a queimados externos, também pode favorecer o desenvolvimento do cancro", explica a nutricionista.

Frutas e vegetais

O director do Instituto do Câncer de São Paulo diz que quanto mais cedo a alimentação saudável fizer parte da rotina, maiores são os benefícios. “Uma ementa que visa estimular as pessoas a terem uma alimentação melhor, que possa ajudá-las não só no tratamento e recuperação de uma doença como o cancro, mas também de problemas cardiovasculares e de outras doenças a longo prazo”, afirma Paulo Hoff, oncologista.
"É importante colocar nesta alimentação, no mínimo 400 gramas de frutas e/ou hortaliças por dia, que são aproximadamente cinco porções. Esta é a recomendação do Fundo Mundial de Investigação para o Cancro", completa a nutricionista.
Os médicos recomendam também que as substâncias citadas na reportagem como o betacaroteno ou o licopeno sejam adquiridas através do consumo de alimentos frescos e não de suplementos alimentares.

Os tratamentos

A próxima etapa era a consulta de grupo. Nesta consulta iam-me dizer qual o resultado da analise dos carcinomas e o tratamento que ia realizar. Eu não queria fazer quimioterapia pois tinha medo dos efeitos secundários mais precisamente da queda de cabelo. Fui chamada para a consulta. Era uma médica que eu nunca tinha visto. Informou-me que estava tudo muito no inicio. Um dos nódulos tinha 1 cm e o outro 0,5cm.
Não ia fazer radioterapia, mas ia fazer quimioterapia (4 sessões) e hormonoterapia. Perguntei se era uma quimio forte ao qual ela me respondeu que não há quimio fortes e se eu estava era a perguntar se fazia cair o cabelo sim, disse ela toda a quimioterapia da mama tem esse efeito secundário. Chorei um pouco. Já não chegava ter perdido a mama agora ia também perder o cabelo. Pedi um relatório médico. Sai do gabinete e fiquei à espera das informações que a enfermeira me ia dar. A enfermeira explicou-me o que ia fazer e como tudo se ia processar. Ia fazer um exame ao coração para ver se estava tudo bem para iniciar o tratamento e ia fazer analises. Depois deste exame e das análises ia ter uma consulta com a médica que me ia acompanhar neste tratamento.
 Só depois então marcava a 1ª sessão de quimio. Esta quimio era preventiva só mesmo com esta função pois os médicos achavam que eu estava curada mas não fossem haver alguma célula microscópica que tivesse escapado com a quimio, ia ser destruída. 
 Lá fui eu com o meu marido para a consulta com a Drª Susana. Contei-lhe quais os tratamentos que ia fazer. Ela ficou contente por não fazer a radio e fazer só 4 sessões de quimio. Ela foi ver no computador resultado histológico da analise. Disse-me que os nódulos felizmente não eram nada de maior. Ainda bem!!
Disse-lhe que estava à espera do relatório médico. Ela queria ver. Fui ver se estava pronto e voltei para lhe mostrar. Leu e mais uma vez me disse que dentro do mal estava tudo ok e que eu não ia fazer das quimios mais fortes. Fiquei toda contente. Disse-me para marcar um consulta com ela no dia em que ia ter consulta com a psicóloga e com a médica que me ia seguir a quimioterapia.
Assim fiz. Mal sai marquei a consulta.
No dia marcado fiz as analises e o F.E.V. (exame ao coração). Estive mais ou menos uma hora para fazer o exame. Só esperava que estivesse tudo bem.
Passado uns dias lá estava eu outra vez no I.P.O..Passamos a vida nisto consultas, exames, consultas...
Fui então falar com a Drª Ana Ferreira que ia ser a minha médica a partir daquele momento. Fez-me umas perguntas, escreveu, no meu processo e examinou-me.
No final explicou-me como era o tratamento, os cuidados que eu devia ter e receitou-me alguma medicação que eu ia necessitar. Acabei a consulta e ainda fiquei à espera para falar com a enfermeira. Esta voltou-me a explicar com tudo se ia processar e quais os cuidados ter. Saí e fui marcar a quimio. Ficou para dia 8 de Janeiro às 17:30.
Fui para a consulta com a psiquiatra para lhe dizer quando começava a quimio. Para meu espanto estava também lá a psicóloga. Estivemos as três a conversar.  Chorei um pouco. Pensei que estava preparada para o tratamento mas agora que a data estava marcada ,senti que não estava assim tão bem preparada como imaginava. Segundo elas era natural as pacientes terem essa reacção. Também lhes falei num pensamento que tinha tido no dia anterior. Questionei-me o que teriam feito à minha mama. Àquele pedaço de mim que deu de mamar aos meus filhos e os aconchegou quando eles choravam. Era um pedaço de mim do qual eu não me despedi.  O qual eu não tive a oportunidade de enterrar como se faz quando se perde um ente querido. Sim esta perda era encarada por mim como a perda de alguém que a gente ama.
Ouviram-me com toda a atenção. Disseram-me que ia correr tudo bem. A psicóloga ficou de se encontrar comigo no dia em que ia fazer a quimio. Despedimos. Voltei para casa um pouco mais aliviada depois desta conversa.

 

Projecto Mama Help apresentado hoje

O centro que abrirá no Porto visa dar apoio não médico a todos os doentes com cancro da mama


O Mama Help será um espaço físico dedicado ao suporte não médico (psicológico, nutricional, social, profissional, etc.) e ao esclarecimento de doentes com cancro da mama (de qualquer idade, de ambos os sexos, em qualquer fase da doença) e seus familiares e amigos.
Pretende-se que seja Um centro de referência para a orientação e realização de terapias complementares, sempre a partir do conhecimento do tratamento médico convencional para cada caso, aplicando o conceito que actualmente se denomina de medicina integrativa (a utilização das duas formas de medicina lado a lado com o conhecimento permanente das duas realidades).
A mentora e directora do Centro é Maria João Cardoso, que dirige, também, a Cirurgia Mamária na Unidade de Mama da Fundação Champalimaud, e será coadjuvada por um conselho científico e um conselho de curadores que integram nomes como Sobrinho Simões, Margarida Damasceno, Fátima Cardoso, Leonor Beleza, Carvalho Guerra, Raquel Seruca, entre outros.
Voluntariado

Uma considerável parte das actividades da Associação dependerá do papel essencial dos voluntários.
Uma das principais áreas de intervenção do voluntariado irá ser a participação nas "Equipas de Sonhos" responsáveis pela realização do sonhos das crianças. Integrados nestas equipas, os voluntários deverão entrar em contacto com as famílias, com as próprias crianças, com o pessoal dos Hospitais e Instituições Médicas e com o pessoal de Assistência Social e de outras organizações de solidariedade social que já trabalhem com as crianças em causa.
Para este efeito, está a ser desenhado um Programa de Formação de Voluntários, que tem em conta, não apenas os aspectos práticos que se prendem com a forma como deverá decorrer o processo de realização dos sonhos (acima descrito), mas sobretudo a componente psicológica do tratamento de crianças e adolescentes em situações de doença crónica ou em fase avançada e, finalmente, a parte técnica e informativa sobre todos os contornos das doenças com as quais irão conviver mais de perto.


O que tem de fazer para ser voluntário?
1- Preencher a ficha de candidatura:
Ficha de Voluntario (DOC/102KB)
Ficha de Voluntario (PDF/116KB)
2- Guardar o ficheiro no ambiente de trabalho
3- Escolher a área de voluntariado abaixo descrita
4- Anexar o formulário devidamente preenchido
5- Enviar


Áreas de voluntariado:
Participação nas Equipas de Sonhos - contacto com crianças, famílias, amigos e pessoal médico Participação nas Equipas de Sonhos - organização administrativa e produção dos eventos de realização dos sonhos Organização administrativa na Sede Apoio à contabilidade Apoio informático Apoio em assessoria de gestão Participação como Coordenador de projectos específicos promovidos pela Associação Apoio na Recolha de Apoios e Parcerias para a Associação Participação na realização de eventos realizados pela Associação, como animadores ou acompanhantes Acompanhamento psicológico das famílias - somente para pessoal especializado Acompanhamento psicológico dos voluntários - somente para pessoal especializado Apoio na organização de cursos, conferências, seminários e workshops promovidos pela Associação Participação em sessões abertas ao público como oradores Apoio de voluntariado em geral

Se quer participar nas actividades da Associação Terra dos Sonhos, escolha a área que melhor se adapta ao seu perfil. Será contactado pela Associação com a maior brevidade possível.
http://www.terradossonhos.org/pt/voluntarios.html

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Depois da operação
Estava anciosa por ver os meus filhos. Estava a morrer de saudades deles mas, tinha de ter cuidado pois não podia fazer esforços por isso, pegar neles estava fora de questão.
Quando eu cheguei e eles me viram vieram logo ter comigo. Estava tão lindos!
Agarrei-me a eles a dar-lhes montes de beijos. Depois fui cumprimentar os meus sogros que me têm ajudado muito.
Almoçamos e depois fui para minha casa. Lar doce lar. Não há nada como estar em casa.
De tarde comecei a ficar com muito sono. Achei estranho pois no hospital nunca tive vontade de dormir. Deduzi que seria dos anti-depressivos que tinha começado a tomar nesse dia. Fui descansar. Acordei seriam umas 18h. A minha sogra estava a fazer os doces para a noite de Ano Novo. À noite jantamos e depois estivemos a ver um pouco de televisão até ser meia-noite.
Eu não consegui ficar acordada até tão tarde. Eram 10 horas  quando fui para a cama. Adormeci e acordei à meia-noite com o meu marido e os meus filhos a darem-me um beijinho e a desejarem-me um Feliz Ano Novo. Bem precisava pois o ano que passou não tinha sido muito bom.
No dia 3 voltei ao I.P.O. para fazer o penso. Estava com um pouco de medo de ter ganho líquido pois se caso acontecesse tinha de tirar. A ideia de isso acontecer não me agradava muito. Felizmente não foi necessário. Estava tudo a cicatrizar muito bem.
A enfermeira mandou-me lá voltar no dia 6 para fazer o curativo e tirar o penso.
Já!!! Eu sabia que algum dia isso ia acontecer mas...
A cicatriz ia ficar exposta eu não queria ver. Como é que eu ia fazer para me vestir sem ver a cicatriz?
Neste mesmo dia tive consulta com a minha psiquiatra e contei-lhe que na próxima quinta-feira a cicatriz ia ficar exposta. Ela aconselhou-me a olhar quando me sentisse preparada para isso. Tudo tinha o seu tempo e eu tinha o meu.
Receitou-me outro medicamento para os dias de mais ansiedade.
- Está bem - disse eu.
Mandou-me ter com ela no dia em que ia tirar o penso para falarmos.
A minha cabeça começou a andar a mil à hora. Imaginava e treinava formas de me vestir sem olhar. Só visto.
A quinta-feira chegou. Estava nervosa. Tomei o Victam que a psiquiatra mandou. Pedi à Laide para mais uma vez me acompanhar. Ela lá foi comigo para a sala de pensos. Fazer o curativo não era muito agradável pois sentia os tecidos todos adormecidos e fazia-me muita impressão. Como estava previsto a cicatriz ficou exposta. Eu não quis olhar. Vesti-me com muito receio de não o conseguir fazer sem passar o olhos pela minha lesão. Mas consegui. Fiquei aliviada por conseguir.
A enfermeira aconselhou-me a começar a colocar Nivea a partir de domingo e se sentisse algum inchaço enrolar uma toalha e colocar debaixo do braço a fazer pressão.
Tudo bem. Iria fazer o que ela me recomendou.
A nível psicológico estava a sentir-me muito melhor. Já não chorava tanto. Sentia-me com alguma tristeza mas já não me encontrava no desespero de outrora. Bendita medicação. Obrigada Drª Susana. É um anjo.
Nova técnica de reconstrução da Mama

Cirurgiões espanhóis do Hospital German Trias
i Pujol, em Barcelona, criaram um gel de plaquetas que serve para restituir o volume da mama após a extração de um tumor, com a vantagem de que se coloca no mesmo ato cirúrgico e permite conservar a forma do peito.
A técnica é pioneira no mundo e já foi aplicada a meia centena de mulheres com resultados positivos, conforme informa a instituição de saúde em comunicado citado pela imprensa espanhola.
As plaquetas utilizadas são obtidas através do sangue de um doador e com elas elabora-se o gel com uma consistência semelhante à da mama, que restitui o volume e regenera as fibras de colagénio perdidas.
As plaquetas não são células, mas fragmentos celulares, pelo que não se corre o risco de rejeição por parte do recetor. Contêm também propriedades de crescimento e imunomoduladores que aceleram a reparação e a regeneração do tecido.
Calcula-se que 7 em cada 10 mulheres que têm um cancro da mama necessitam de realizar uma tumorectomia, cirurgia para extração do tumor no peito. Três em cada 10 necessitam mesmo de uma mastectomia que supõe a remoção total da mama.
Nas cirurgias de extração de tumor não se reconstruía a mama a não ser numa altura posterior com recurso a ácido hialurónico ou com gordura de outra parte do corpo do paciente, mas nem sempre com o resultado desejado.
A nova tecnologia liderada pelo cirurgião Joan Francesc Julián foi patenteada pelas três instituições envolvidas no projeto pioneiro: o hospital e Instituto Germans Trias, a Universidade Autonoma de Barcelona e o Banco de Sangue e Tecidos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

câncer de mama feminino e masculino

Como fazer o Auto-exame (apalpação)

Regresso a casa
Faltava pouco para chegar o Ano Novo, dois dias e iniciava 2011. Eram 11horas da manhã do dia 30 quando o médico apareceu no quarto. 
- Então Ana Paula vamos passar o Ano Novo a casa?
- Só vou se for sem os drenos senão, não vou. Passo aqui o Ano Novo se for preciso.-respondi.
- Não diga disparates. Amanhã vamos ver.
Um dos drenos já não drenava. O outro ainda drenava um pouco.
Nesse dia tinha acordado mais triste do que de costume. Não estava nada bem. Tinha piorado. O meu estado psicológico estava o mais baixo possível. Sentia que já não tinha mais força para lutar.Uma enfermeira veio ver como eu estava. Mal ela me dirigiu a palavra eu desatei num pranto que só visto. Ela ouviu-me com toda a atenção. Eu estava no "fundo do poço". Perguntou se alguém da psiquiatria me veio ver pois eu estava a precisar. Respondi que não mas, que eu já andava na Drª Susana a ser seguida.
A enfermeira disse que ia chamar a Drª para ela me ver.
Sentada no cadeirão, peguei num livro para tentar ler mas, foi em vão pois eu não me conseguia concentrar.
O Jorge chegou deu-me um beijinho e perguntou-me o que se passava pois eu estava com uma cara muito triste. 
Tentei disfarçar pois eu sei que as pessoas que nos acompanham sofrem tanto ou mais do que nós e o que eu não queria neste momento, era ver o meu marido a sofrer, já chegava eu.
A Drª Susana apareceu. O Jorge deixo-nos sozinhas. Desatei logo a chorar e expliquei como me sentia à médica. Não havia dúvidas para ela. Eu encontrava-me numa depressão profunda grave. A "factura" que eu estava a pagar era muito alta para mim e eu não estava a aguentar sozinha.
Precisava de ajuda e essa ajuda seria uma medicação que ela me ia prescrever. Não solucionava nada mas, ajudava muito.
- Obrigada Doutora! Eu preciso muito da sua ajuda.
Agarrei-me a ela a chorar e a agradecer.
O Jorge entrou. As visitas começaram a aparecer. Devo agradecer muito a eles pois eu nunca estive sozinha nesta luta. Os amigos têm me ajudado e muito o meu marido, ainda mais. 
As pessoas que me visitavam diziam para eu lutar pelos meus filhos. Eles precisavam muito de mim. Eu sabia disso mas mesmo assim eu não consegui ter força. Sentia remorsos por isso. Sentia-me a pior mãe do Mundo. Nem pelos filhos! 
As únicas palavras que me saiam da boca eram: - Eu não consigo; - Não dá.; -Eu não tenho mais forças.
E dizendo isto chorava com a maior dor que sentia no peito.
Custou-me muito a adormecer. Essa noite foi das piores.
Sexta-feira dia de Ano Novo. Iníciei a toma dos anti-depressivos. Estava numa tristeza que só visto. Uma voluntária ao ver-me assim agarrou-me no braço e começou a falar comigo. Disse-me que tinha passado pelo mesmo e que agora estava bem. Mostrou-me a reconstrução que tinha feito a ambas as mamas. Eu tinha que lutar, tinha que olhar para a frente.
- Eu sei!- respondia eu mas é dificil.
Chegou a hora de tomar banho. Uma auxiliar veio-me ajudar.
Ao ver a minha tristeza conversou comigo tentando me ajudar. Mas não havia nada que ela pudesse fazer ou dizer que me fizesse ficar melhor.
Depois do banho fui para a sala de pensos. A enfermeira perguntou se eu já tinha visto a cicatriz ao qual eu respondi que não e que não queria ver. Aconselhou-me a fazer o quando antes mas eu, não queria ver para já.
Fui para o quarto. O Jorge chegou cumprimentou-me e perguntou se o médico já tinha passado pelo quarto.
- Ainda não.- disse-lhe eu.
Mas não demorou muito. Entrou, viu o saco com os drenos e deu-me alta. Voltei para a sala de pensos para tirar os drenos. Estava com medo pois pensava que me ia doer. A enfermeira disse-me para descontrair que não doia nada. Eu não estava nada convencida mas tinha de ser e tinha por isso...
A verdade é que não doeu. Apenas uma sensação de váco era o que eu tinha sentido. Voltei para o quarto para me vestir pois estava em pijama. A enfermeira disse para eu esperar pois faltava tratar dos papeis da alta e a Drª Susana a minha psiquiatra faltava prescrever a minha medicação.
Vesti-me e ficamos a aguardar. Poucos minutos depois apareceu a médica para me ver e para me dizer como tomar os anti-depressivos. Despei-me dela com um beijinho e um abraço muito apertado. Ela entende-me pensava eu.
A enfermeira apareceu no quarto para me dar os papeis da alta. Ia para casa. Ia ver os meus filhotes. Não ia muito feliz mas... ia para o meu lar.

Cirurgia
Do Bloco Operatório lembro-me muito pouco. Tenho partes desta história que não me recordo.
Lembro-me de ver as luzes, de me colocarem o aparelho de medir as tensões na perna direita, de me colocarem umas ventosas no peito e da médica anestesista falar comigo. Penso que ainda disse que me estava a sentir esquisita mas, não tenho bem a certeza de o ter dito e apaguei!!! Entrei num sono profundo.
Depois lembro-me de acordar, querer abrir os olhos e não conseguir. Alguém  me disse que a operação correu bem e que o meu gânglio sentinela deu negativo mas, não sei quem foi apenas sei que era uma voz masculina.
Disse que me doía a garganta e que tinha sede. Ouvi a voz da Laide a dizer que a enfermeira disse que eu podia beber mas, devagar. Bebi de olhos fechados pois eu não me lembro de ver as pessoas à minha volta. Comentei que tinha frio e devo ter adormecido pois não me lembro de mais nada. A meio da noite tinha calor. Retiraram-me o edredão não sei se fui eu que chamei alguém ou se já estava alguém à minha beira e adormeci novamente.
Acordei de manhã bem cedo alguém chamou por mim. Aí já me recordo bem. Duas enfermeiras vieram-me ver. Reparei que tinha qualquer coisa agarrada a mim. A enfermeira disse-me que eram os drenos que tinha de ter cuidado. Disseram-me que eu tinha de fazer chichi mas eu disse que não tinha vontade. A enfermeira afirmou que eu tinha de fazer senão iam colocar a algália. Colocaram-me a aparadeira e eu lá fiz.
Depois deram-me banho na cama. Vesti um pijama lavado e colocaram-me no cadeirão ao lado da cama.
Vieram as auxiliares e fizeram a cama de lavado. O médico passou.Os drenos eram especiais e que eu podia ir para casa com eles. Eu disse que não queria. Perguntou-me porquê ao qual eu respondi que tinha dois filhos pequenos e não queria que eles me vissem assim. O médico compreendeu e sendo assim disse que eu tinha de ficar no hospital 4 ou 5 dias.
Foi embora. Passado uns minutos chegou o Jorge. Ficou contente de me ver no cadeirão. Veio a Laide me visitar e logo a seguir as minhas amigas. Estivemos a conversar. Por volta do meio dia veio a comida. Estava de dieta liquida. Comi então duas sopas passadas. O Jorge foi também almoçar ao bar do I.P.O..
Da parte da tarde tive também muitas visitas. A cama ao meu lado foi retirada do meu quarto ia ter companhia.
Estive sempre distraída com as visitas. Não ocupava o meu pensamento com coisas tristes. Mas quando chegou a noite foi terrível.
O Jorge foi embora eu fiquei sozinha, a noite não é a melhor das conselheira. Desatei a chorar como nunca. Já não tinha a minha mama. No seu lugar existia um vazio enorme tapado por um enorme penso. Duas enfermeiras apareceram e viram-me a chorar. Estive a desabafar com elas o que ajudou um pouco. Pedi para me darem qualquer coisa para dormir. Ao fim de muito choro consegui adormecer.
Na manhã seguinte quando acordei e tomei consciência da minha realidade desatei novamente a chorar. Era só o que eu conseguia fazer. O pior foi depois. Eu tinha de tomar banho e depois tinha de fazer o penso. Eu já sabia que ia fazer o penso no dia anterior por isso, pedi à Laide e ao meu marido para virem mais cedo.
Eu não queria tomar banho, eu não queria olhar para mim. Chorar, chorar, chorar era o que eu fazia de melhor.  Quando a Laide chegou eu estava num pranto. Perguntei pelo Jorge. Ele estava na sala de espera. Fui ter com ele a agarrei-me a ele a chorar a dizer que não queria tomar banho, que não queria olhar para mim.
A Laide ofereceu-se para me dar banho. Eu apensar de tudo aceitei pois tinha mais confiança com ela. Lá fui eu. Muito contra a minha vontade mas tinha de ser. A Laide é um amor lavou-me com todo o carinho e foi sempre conversando comigo.
 De seguida acompanhou-me para a sala de pensos. A enfermeira foi um amor. Fez-me o penso com muita calma e muito cuidado. Eu estava com alergia aos pensos tinha muita comichão.
Ouvi a voz o meu marido.
- Vem ai o médico -disse eu
- Como sabes- disse a Laide
- Eu ouvi o Jorge a falar com alguém. Só pode ser com o médico ele não conhece mais ninguém!
Assim foi. O médico entrou. Chegou na hora certa. Viu a minha cicatriz e disse que estava tudo ok.
A enfermeira acabou de fazer o penso e eu regressei para o quarto. O Jorge vei ter comigo. A Laide disse-lhe que estava tudo bem e que a minha cicatriz estava muito perfeita, muito bonita. Duvidei com pode uma cicatriz ser bonita!!  Devia de estar horrivel, vermelha, feia. Pelo menos não tinha pontos, não tinha de passar pelo tormento de os tirar pensava eu.